Este é um daqueles dias em que eu sinto exactamente o Verão passado. Esta é uma daquelas noites, parecias com as de Agosto em que eu me pergunto, a toda a hora, o como e o porquê. Esta é uma daquelas horas, uma daquelas alturas em que eu me queria sentir livre e soltar de tudo o que me está a prender.
É agora que eu vejo que tudo o que senti, hoje, são muito mais do que simples memórias ou recordações. É agora que eu vejo que o sentimento não morreu, apenas se tentou esconder daquilo que o fazia sofrer. E comecei a ver isso, nas piores circunstâncias e da pior maneira.
A afectividade nunca foi um forte em "nós". O dito "nós" nunca chegou sequer a existir, a ternura nunca teve lugar no nosso mundo e o carinho também era raro quando tinha permissão para entrar naquilo que era a "tua muralha".
Chegar a ti nunca foi tarefa fácil, mostrar-te o que sentia sempre foi difícil e eu, sozinha, nunca consegui encontrar caminhos que me dissessem para onde seguir. Nunca tive palavras convictas que me orientassem para o que deveria (de) fazer.
Foi naquela noite, em que o vento era abafado mas que mesmo assim batia forte; naquela inocente romaria de aldeia em que qualquer um lá ia apenas para passar uns bons momentos, que mais desejei sentir o teu verdadeiro cheiro. Foi quando eu mais desejei ouvir ao pormenor o som do teu sorriso, a doçura das tuas palavras e sentir a suavidade e delicadeza das tuas mãos.
Lembro-me que voltei para casa nunca estado de anestesia total, num estado de felicidade completa e sentia que nada, nem ninguém, iria estragar aquele que era o meu sorriso. Tudo porquê? Por te ter visto :$
Os dias passaram, as coisas começaram a apagar-se. Semanas, meses, (...) e vi que não era tudo assim tão cor-de-rosa como eu tentava pintar.
A distância começou a aumentar e talvez eu nunca tenha feito nada para a diminuir. Não era a coisa mais definida da minha vida, mas era a coisa que naquela altura me fazia feliz. Era a coisa que me fazia sentir a adolescente mais apaixonada do século, e apesar de saber que nunca iria ser correspondida, sentia-me bem com isso.
O ser-humano não é assim tão estúpido e eu não tardei a perceber que o quadro que eu levei 3 meses a pintar, tinha falhas na tela. O cenário rasgou-se, as personagens caíram e a tinta do meu pincel, secou. Tapei o cavalete da minha vida com um lençol e hoje, espero por um novo pincel e um novo frasco de tinta, para continuar aquela que é, a minha história.
Fg <3