Hoje, se não te criticam por aquilo que és, criticam por aquilo que comes, por aquilo que usas, por aquilo que sentes, por aquilo que fazes ou deixas de fazer, por aquilo que escolhes para ti, por aquilo que sonhas e desejas, por aquilo que pensas, por aquilo que gostas, pela tua maneira de ver a vida.
Se não te criticam pela tua cor, criticam pela escola ou sítios que frequentas, pelo penteado que tens, pelos teus hábitos e costumes, pelas pessoas por quem tens carinho, pela posição em que estás na fotografia das redes sociais, pelos comentários que fazes às outras pessoas, pelo nível de simpatia quem tens com o sexo oposto, pelos talentos que podes (ou não) ter.
Se não te criticam pela marca que trazes na etiqueta da camisola, criticam pelo telemóvel que trazes no bolso, pelo destino onde vais passar férias, pela quantidade de dinheiro que trazes na carteira, pelo tamanho da casa onde vives ou pelos cavalos que o teu carro tem.
Se não te criticam pela profissão dos teus pais, criticam por algum problema que possas ter na família, pelo número de calças que vestes, pelo peso que acusa na balança quando te pões em cima dela, pelas borbulhas que tens na cara, pelo tamanho da televisão que tens em casa na sala de estar, pelo teu comportamento, pelo computador que tens ou deixas de ter, pelas tuas dificuldades na vida!
Hoje o mundo é cruel, nem sempre é justo e os outros fazem questão de nos meter rótulos a toda a hora.
Se rapas o cabelo, é porque tens cancro.
Se estás gorda é porque estás grávida.
Se estás magra/o é porque tens uma depressão.
Se mentes a alguém é porque não prestas.
Se és muito branco é porque tens uma doença de pele.
Se és mais escuro de pele é porque és marginal.
Se gostas de usar boné é porque és drogrado/a.
Se tens os sapatos rotos é porque não tens dinheiro.
Se tens uma casa pequena é porque não tens boas condições.
Se não agradeces é porque não tens boas maneiras.
Se te chateias é porque acordas-te com os pés de fora.
Se tiras boas notas é porque és marrão.
Se tiras más notas é porque és um baldas.
Se dizes o que pensas és mal educado.
Se ficas calado é porque não te sabes defender.
Se não tens protátil é porque és pobre.
Se andas numa escola pública é porque não vais ser ninguém na vida.
Se não usas preservativo é porque não tens juízo.
Se comes um chocolate é porque estás a ficar gordo/a.
Se sonhas ir à lua é porque és maluco.
Se gostas de andar bem vestida é porque és uma oferecida.
Se andas mal vestido é porque andas com roupa que te deram.
Se na sala de estar não tens um plasma ou LCD é porque não dá para ver bem televisão.
Se vais à missa é porque és um lingrinhas.
Se ainda andas na catequese é porque perdes tempo com coisas que não valem a pena.
Se vês desenhos animados é porque és cachopo/a.
Se casas virgem é porque és uma santinha/o.
Se vês filmes pornográficos é porque és um porco.
Se gostas de apreciar é porque és um tarado.
Se és simpática para o sexo oposto é porque és uma puta.
Se o teu pai varre ruas é porque vais ser como ele.
Se a tua mãe lava escadas é porque é uma desgraçada.
Se andas de transportes públicos é porque és pobre.
Se ouves música electro-house é porque és mitra.
Se és a favor do aborto é porque és insensível.
Se gostas de fado é porque não sabes o que é música.
Se não tens uma perna é porque não podes ser ninguém na vida.
Se pões a mão à cintura numa foto é porque és convencida.
Se te dás com uma pessoa doente é porque podes estar também contagiado.
Se és homossexual é porque és maricas.
Se não te embebedas é porque não sabes aproveitar a vida.
Se não bebes é porque não vales nada.
Se não fumas é porque és um fraco nem estás apto de entrar num grupo.
(...)
Vale a pena continuar? /:
